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Este artigo apareceu originalmente na
edição de Março de 1996 de "The Sentinel", uma revista
católica com base em Vancouver, British Columbia. Está imprimido
de novo aqui com autorização.
Os factos detrás da
controvérsia
de B.L. Drake
O Padre Gruner pode ser o Padre mais
controversial da Igreja Católica de hoje. É com certeza um dos
mais falados. A sua vida e a sua carreira são há muito tempo o
foco de grande interesse e atenção tanto de amigos como de
inimigos. Desde a sua ordenação em 1976, o Padre Gruner tem
passado a sua vida promovendo incansavelmente a devoção e o
interesse na mensagem que a Santa Virgem Maria proferiu em Fátima em
1917. Tem mantido consistentemente, nas páginas da sua revista,
Fátima Crusader, semanalmente na rádio e na
televisão e em aparecimentos públicos pelo mundo fora, a
importância suprema de prestar atenção ao pedido solene que
Nossa Senhora fez em Fátima.
Como sabe a maior
parte dos católicos sérios, se tem considerado "politicamente
incorrecto" em círculos altos da Igreja tomar literalmente a Mensagem de
Fátima. Contudo, é precisamente o que o Padre Gruner, desde o
inicio, tem insistido em fazer na sua vida e no seu trabalho como padre
católico.
Antes da controvérsia
Dada a
controvérsia que rodeia esta figura pública há tantos
anos, é interesante notar que, em 1978, quando publicou o seu primeiro
exemplar de Fátima Crusader, o Padre Gruner era o mesmo padre,
vestido de sotaina, que é hoje. Tal como hoje, dizia as suas missas em
latim e se recusava a permitir a Comunhão na mão. Nesse tempo,
com a Estátua Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, atraía
grandes multitudes nos seus circuitos pelo Canadá, onde, assim como
hoje, pregava a necessidade urgente de evitar os "erros da Rússia e de
consagrar essa pobre nação" ao Coração Imaculado de
Maria na maneira exata requerida pela Virgem em Fátima.
Apesar destas
atividades por as quais seria mais tarde criticado amargamente, em 1978 foi
concedida ao Padre Gruner as faculdades parciais na Arcediocese de Ottawa e foi
também bem recebido em catedrais por todo o Canadá onde recebia
habitualmente faculdades temporárias para pregar e ouvir
confissões.
Em Abril de 1981
tinha já faculdades completas para pregar e ouvir confissão em
Ottawa, outorgadas a ele pelo Arcebispo Joseph Plourde, um dos homens mais
liberais da igreja canadiana. Um padre de facto lhe disse nessa altura que ele
tinha "mais faculdades que eu jamais tive e eu sou padre há quarenta
anos."
Politicamente Incorrecto
O que o Padre
Gruner não tinha, contudo, era uma precisão política
correcta. O Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Casaroli, tinha
dedicado a sua carreira e a sua vida à promoção e à
defesa do acordo de 1962 que fez o Vaticano com a Rússia para cessar
todas as suas atividades anti-comunistas em troca de um fim prometido à
perseguição dos católicos detrás da Cortina de
Ferro. Também o Papa João Paulo II, recentemente eligido, tinha
vindo assim ao Trono de Pedro com o seu própio programa para o
leste. Nos
dias impetuosos e excitantes dos primeiros movimentos políticos do Papa,
a retórica pro-Fátima e anti-comunista do tipo que dava fama ao o
Padre Gruner era um anatema para os políticos do Vaticano. Em
retrospecto, não parece apenas coincidência que o primeiro choque
entre o Padre Gruner e as autoridades da Igreja tivesse lugar em uma altura
quando o que ele pregava sobre "os erros da Rússia" começava a
crear um público grande e responsivo tanto no Canadá como nos
Estados Unidos.
O Núncio intervém
Havia dez
milhares de padres no Canadá em 1981 quando o Pronúncio de
Ottawa, o Arcebispo Palmas, reservou tempo para se reunir com o Cardeal Oddi, o
cabeça da Congregação do Clero do Vaticano. Não
obstante, o propósito da sua visita era apenas o de falar sobre um
Padre: o Padre Nicholas Gruner.
Por parte de seu
chefe, o secretário de estado, o núncio se queixou furiosamente
das atividades do jovem Padre e alegou (falsamente, como se provaria mais
tarde) que mais nenhum bispo canadiano o incardinaria. Palmas insistiu que o
Padre Gruner fosse forçado a voltar à diocese em Itália
onde tinha sido incardinado e na qual tinha sido autorizado formalmente a
trabalhar no estrangeiro. Os problemas entre Padre Gruner e a hierarquia da
Igreja datam desta visita e têm persistido até hoje.
Durante nove
anos, enquanto terminava a estratégia de Roma com a Rússia, o
Padre Gruner foi sujeitado a molestamento contínuo, atingindo a
perseguição, de vários oficias de dentro do Vaticano e em
dioceses locais. Muitos dos seus direitos sacerdotais, garantidos por direito
canônico, lhe foram sistematicamente recusados.
Apesar do que
viria a ser quase perseguição contínua e ilegal da parte
dos burocratas da Igreja e da prensa católica liberal, o Padre Gruner
continuou a construir o seu Apostolado de Fátima, falando, publicando e
finalmente transmitindo por televisão a mensagem de Fátima sempre
quando pôde. Não é de surpreender que à medida que
cada vez mais membros do clero e mais leigos reagiam às suas palavras,
fornecendo um apoio crescente financeiro e voluntário, ia intensificando
a pressão da burocracia do Vaticano.
O assunto chega ao ponto
culminante
Em 1989, o
assunto chegou a um clímax fervente. Tinham sido publicadas cartas que
pretendiam vir da última vidente de Fátima viva, a Irmã
Lucia, declarando que se tinha cumprido o pedido da Santa Virgem para a
consagração colegial da Rússia ao Seu
Coração Imaculado. Este assunto era há muito central
à cruzada do Padre Gruner. A sua insistência inexorável que
a Consagração não tinha sido feita segundo os pedidos
específicos de Nossa Senhora de Fátima era há muitos anos
o tema dominante do seu Apostolado.
Apoiando-se na
sua sabedoria enciclopédica das escrituras da Irmã Lucia e na
perícia de autoridades mundiais sobre Fátima, Gruner pôde
demostrar conclusivamente que as cartas eram falsificadas, parte de uma
conspiração mais profunda para silenciar a última
testemunha sobrevivente das aparições da Virgem em
Fátima.
Em Novembro de
1989, pouco depois de publicar o seu relato pormenorizado sobre as cartas
falsificadas, o Padre Gruner recebeu de Gerardo Pierro, o bispo de Avellino, a
diocese à qual continuava anexado, uma comunicação
fortemente expressada. Nesta carta, na qual o Bispo Pierro admitiu que estava
escrevendo baixo pressão do escritório do Secretário de
Estado, o Padre Gruner foi informado de que lhe seria concedida uma
incardinação numa diocese local, mas somente se prometesse
encerrar as atividades do seu Apostolado e cessasse o seu trabalho como
representante da Mensagem de Fátima. Se se recusasse, declarou Pierro
com tristeza, seria forçado a voltar imediatamente a Avellino.
A
princípios do novo ano, o Padre Gruner viajou a Itália com o seu
amigo o Padre Paul Kramer, cujo conhecimento do direito canônico e da
tradição da Igreja é legendário. Ali, procederam a
Avellino e se reuniram com o Bispo Pierro no dia 25 de Janeiro de 1990. Cara a
cara, o bispo confessou ao Padre Gruner: "se eu o suspendesse, seria um pecado
mortal, mas se o Vaticano me o manda fazer, terei que o fazer." Depois de um
jantar que cozinhou com suas própias mãos, o bispo reconfirmou
formalmente -- diante de duas testemunhas -- a sua
autorização ao Padre Gruner para trabalhar fora da Diocese de
Avellino enquanto procurava um bispo novo. Quatro meses mais tarde, reafirmou
de novo esta autorização numa carta a Gruner e voltou a
encorajá-lo a encontrar um bispo que o incardinasse fora de
Avellino.
Os ataques continuam
Apesar de ter
conseguido esta importante reconfirmação de sua boa
reputação como sacerdote, não tardou muito que o Padre
Gruner fosse outra vez o alvo de ataques. Em Junho de 1990, o Monsenhor
McCormack, chanceler da Arcediocese de Toronto, enviou um memorando
"aconselhador" a cada paróquia na Arcediocese, intentando virar padres e
leigos contra o Padre Gruner e contra o seu Apostolado de Fátima.
Segundo McCormack, a posição do Padre Gruner era "irregular". Por
outras palavras, não era um padre de boa reputação e o seu
trabalho não merecia apoio. A prensa católica local pegou
imediatamente no memorando de McCormack e vários artigos chegaram a
dizer que Gruner era um "vagus", expressão refinada para um padre
renegador e sem bispo.
Depois de serem
rejeitadas repetidas tentativas de discutir o assunto com o escritório
da chancelaria, o Padre Gruner sentiu que não havia outra maneira de
limpar o seu nome senão levantar um processo nas cortes canadianas. Por
agora o caso continua aguardando solução.
É
interessante que apenas um mês depois de estes eventos, o Bispo Pierro de
Avellino outra vez escreveu ao Padre Gruner, confirmando o seu desejo que
Gruner encontrasse um novo bispo e outra diocese na qual podesse ser
encardenado. Com a sua autorização renovada uma vez mais, o Padre
Gruner continuou com o seu trabalho e os seus esforços para encontrar um
novo bispo.
Confrontação
violenta
No outono de
1992, o Padre Gruner organizou uma das maiores conferências de bispos
privadas jamais reunidas. O acontecimento, que teve lugar em Fátima,
depressa se fez notável por mais do que apenas juntar quase cem bispos
vindos de várias partes do mundo a fim de discutir a Mensagem de
Fátima. Desde o dia em que chegou o Padre Gruner a Fátima,
burocratas da Igreja, tanto localmente como em Roma, fizeram clara a sua
oposição à reunião. Foi publicado um anúncio
enganador no jornal do própio Vaticano declarando que a
conferência não estava "autorizada" (apesar de que o direito
canônico não requer tal autorização). Tanto o bispo
local como o diretor do Santuário de Fátima deploraram
publicamente o acontecimento e criticarao o Padre Gruner de nome.
Num
esforço de aclarar as objeções das autoridades locais, o
Padre Gruner conseguiu uma reunião entre quatro dos seus hóspedes
(todos eles arcebispos) e o bispo de Fátima. A reunião resultou
na redução da fricção imediata, incluso um acordo
de juntar a Conferência de Bispos a um acontecimento pequeno que tinha
lugar ao mesmo tempo. Não obstante, a "paz" estava destinada a durar
pouco. O
Monsenhor Guerra, então o reitor do Relicário de Fátima,
não tinha feito nenhum segredo do seu ódio intenso pela Padre
Gruner nem da sua oposição rigorosa à conferência
que tinha organizado. Na noite de 10 de Outubro de 1992, acompanhando um
cardeal idoso e voltando de uma missa, o Padre Gruner foi assaltado
violentamente por dois jovens na sacristia do Relicário de Nossa Senhora
de Fátima. O ataque teve lugar em plena vista de várias pessoas,
incluso um bispo. O Padre Gruner foi agredido ao ponto de necessitar
atenção médica para as várias contusões que
susteve durante o assalto. Os dois homens depressa desapareceram na
confusão, mas foram mais tarde identificados definitivamente, como
empregados leigos do Relíquio. Um dos homens admitiu efetivamente que
tinha atacado o Padre Gruner debaixo de instruções do Monsenhor
Guerra! O
ataque físico sobre um padre Católico Romano num relicário
dedicado à Rainha da Paz recebeu atenção
considerável na prensa Portuguesa. Apesar das documentadas
contusões do Padre Gruner, o Monsenhor Guerra limitou os seus
comentários à especulação que o assalto tinha sido
arranjado a fim de "conseguir publicidade."
Poucos dias mais
tarde, o Cardeal Padiyara, o prelado da India que o Padre Gruner assistia na
altura do ataque, falou a Gruner em voz baixa para o avisar que tivesse cuidado
porque a sua vida estava em perigo enquanto permanecesse em Fátima. Como
resultado deste aviso, o Padre Gruner não volta a Fátima desde
1992.
Um novo bispo
O ano de 1993
começou com a instalação de Antonio Forte como novo Bispo
de Avellino, o terceiro desde a ordenação do Padre Gruner em
1976. Em Julho de 1993, o Padre Gruner recebeu notícia de um bispo amigo
que o incardinaria com gosto desde que obtivesse o necessário decreto de
excardinação do novo Bispo de Avellino. Esta nova oferta de
incardinação veio como resultado direto de ter o Padre Gruner
conhecido este bispo na Conferência de Bispos de Fátima. O Padre
Gruner escreveu de imediato ao Bispo Forte pedindo a
excardinação. Embora fôsse pressionado por mais de 17 anos
para encontrar um bispo novo fora de Avellino, o Padre Gruner aguardou uma
resposta em vão por mais de três meses.
Durante todo o
outono de 1993, o Padre Gruner tentou comunicar-se com o Bispo Forte. Em
Outubro, quando finalmente o conseguiu encontrar numa conferência de
bispos que tinha lugar em Colavalenza, Itália. Enviou expeditamente um
colega, o Padre Paul Trinchard, que estava de peregrinação no
país, para se reunir com ele acompanhado de um tradutor italiano. O
resultado do seu encontro em princípios de Novembro foi uma carta do
Bispo Forte na qual este se disculpava por não entregar uma
decisão. Na carta, indicou que não tinha nada pessoal contra o
Padre Gruner, mas disse que o seu atraso se atribuia inteiramente a uma ordem
direta do Arcebispo Sepe no Vaticano.
Sepe tinha
trabalhado muitos anos perto do Cardeal Casaroli no Secretariado de Estado e,
em 1992, estava de fato a cargo da Congregação do Clero. Tal
intervenção da parte de Sepe era obviamente ultra vires --
fora da sua autoridade. Aparentemente, o Bispo Forte não se atrevia a
fazer-lhe frente.
Ordens vindas de cima
O Padre Gruner
finalmente se encontrou com o Bispo Forte cara a cara no dia 13 de Janeiro de
1994, em Avellino. Uma vez mais, foi acompanhado do Padre Paul Kramer, a quem
tinha pedido que servisse de testemunha. Nessa ocasião, o bispo lhes
disse diretamente que não tinha nada contra o Padre Gruner, mas que as
suas mãos estavam atadas por ordens de superiores na
Congregação do Clero.
O Padre Kramer
anota que o Bispo Forte reconheceu de boa vontade que o Padre Gruner é
um padre de boa reputação. Na conclusão do encontro, o
Bispo Forte disse ao Padre Gruner que voltasse ao Canadá e prometeu
escrever-lhe ali.
Quando o Padre
Gruner voltou ao Canadá, ficou surpreendido, chocado e, em suas
própias palavras, "escandalizado" quando uma carta do Bispo Forte chegou
duas semanas mais tarde dizendo-lhe que abandonasse o seu apostolado e voltasse
a Avellino ou que encarasse a suspensão como sacerdote.
Escreveu a um
amigo privadamente: "Segundo o direito canônico, não se tem uma
suspensão sem um tribunal; não se tem uma suspensão sem um
interrogatório; não se tem uma suspensão sem que se cometa
um crime; não se tem uma suspensão sem que aconteçam
todas estas coisas, e contudo é precisamente o que eles me
estão tentando fazer! De estas coisas, nem uma só
aconteceu..." Quando recebeu a carta, o Padre Gruner a mostrou ao Padre Kramer.
Parecia obvio que a carta do novo bispo continha muitos erros grossos de
direito e de fato, pedindo uma resposta dentro de poucos dias. Para não
errar numa resposta tão importante, estudaram os dois a matéria a
fundo. O Padre Kramer em particular estudou as porções
pertinentes do direito canônico e consultou vários
indivíduos versados em direito canônico.
Mesmo baixo
limites severos de tempo com o trabalho do seu apostolado, o Padre Gruner
respondeu com uma carta de dezassete páginas bem raciocinadas. "Teria
sido impossível sem a ajuda do Padre Kramer e mesmo assim conseguimos
terminar mesmo a tempo," disse o Padre Gruner. Esperaria dois anos e todavia o
Bispo Forte não deu resposta aos pontos levantados nesta carta
prolongada. Quando o bispo não respondeu dentro de 30 dias da
recepção da carta do Padre Gruner, este foi obrigado por direito
canônico a apelar os mandatos do bispo ou perder todo o direito à
apelação. Como resultado desta apelação
canônica, por direito, a ordem do Bispo de Avellino ao Padre Gruner ficou
sem validade até que se recebesse uma determinação da
côrte do Vaticano, deixando assim o padre livre de continuar o seu
trabalho como antes.
Uma carta aberta
A despeito de
estas ameaças e da perseguição contínua vinda dos
burocratas do Vaticano, o Padre Gruner persistiu nos seus esforços para
juntar os bispos do mundo e discutir a mensagem de Fátima.
Começando na primavera de 1994, organizou uma segunda conferência
do bispos, esta a ter lugar na Cidade de México no Relíquio de
Nossa Senhora de Guadalupe.
Seis semanas
antes de convenir a assembléia, foram enviadas cartas dos núncios
papais a bispos pelo mundo fora avisando que não atendessem a
Conferência porque não tinha sido "aprovada" e era apenas uma
"iniciativa privada" do Padre Gruner. Uma vez mais, estas cartas esqueceram
convenientemente mencionar que os bispos nem necessitam nem recebem
habitualmente aprovação do Vaticano para assistir a
conferências privadas de este tipo.
É
necessário notar também que "iniciativas privadas do tipo feito
por o Padre Gruner são perfeitamente aceitáveis e dentro da lei
para qualquer padre. Dado que a sua apelação contra o seu bispo
continua sub judice (aguardando julgamento), o Padre Gruner não
estava debaixo de nenhuma restrição que lhe impedisse escrever
aos bispos e mandar convites a tal conferência.
Quando a
conferência conveniu finalmente a meados de Novembro de 1994, o
número de bispos em assistência era de longe inferior aos que
tinham concordado atender originalmente, antes das cartas do núncio. Num
discurso dramático e furioso à assembléia, o um delegado
especial de uma comissão pontifical no Vaticano, fez claro que a
assistência baixa era o resultado direto de uma campanha de
difamação oquestrada cuidadosamente pelo Secretariado de Estado.
Brandindo uma cópia da carta do núncio, a esta chamou: "um abuso
de poder, um insulto e uma humilhação a todos os bispos que a
receberam." A
seguir ao encerramento da conferência, o Padre Gruner determinou levar o
seu caso diretamente ao Papa João Paulo II. De experiência
passada, sabia que escrever ao Santo Padre de modo pessoal não lhe
garantiria que o Pontife realmente chegasse a ver a carta. Ao decorrer de seis
meses, trabalhando com outros organizadores da conferência, conseguiu os
fundos necessários para publicar uma
"Carta aberta ao Santo
Padre" , pública, no maior jornal de Itália, Il
Messaggero, no dia 12 de Julho de 1995. A carta delineou meticulosamente a
longa história de interferência e perseguição
circundante às duas conferências de bispos organizadas por o
apostolado do Padre Gruner. Também anunciou que se convocaria uma
terceira conferência em 1996, esta vez em Roma! A
publicação da carta aberta foi recebida com grande interesse pela
prensa de Itália; foram escritos vários artigos do jornal sobre
ela e foi exibida em por ao menos um programa especial na rede de
televisão nacional.
A reação de Roma
Carateristicamente, e enfurecidos, os burocratas do Vaticano
declinaram fazer um comentário público sobre a
publicação da Carta Aberta. Confirmaram fontes de
confiança dentro do Vaticano que a publicação tinha
causado muita consternação nos escritórios da burocracia e
levando um empregado chegou a telefonar a Il Messaggero e a insistir em
saber como podiam publicar tal relatório.
Não foi
surpresa nenhuma para Gruner nem para ninguém que a resposta da
burocracia da Igreja fosse firme e de dois canos. Nos princípios de
1996, enquanto o mundo era testemunha do ressurgimento do comunismo na
Rússia, foi emitida uma nova carta da Congregação, uma vez
mais urgindo os bispos a rejeitar o convite do Padre Gruner a atender a sua
conferência porque "não estava autorizada". A carta também
repetia a velha e refutada acusação que a reputação
do Padre Gruner estava suspeita.
Nas palavras de
um antigo observador do Vaticano, esta carta fazia parte da "antiga e repetida
rutina em que se repete algo suficientemente e o povo começa a
acreditar, seja ou não seja verdade."
Oferta nova de
incardinação
Quase em
simultâneo com a emissão de esta carta da
Congregação do Clero veio a notícia de que ainda outro
bispo se tinha oferecido para incardinar o Padre Gruner e assim dar descanso a
quase duas décadas de controvérsia sobre a sua
posição como padre.
Com o comunismo
subindo outra vez na Rússia, a possibilidade de que Zyuganov seja
eligido à presidência em Junho e a ameaça de uma
aniquilação nuclear feita explicitamente contra os Estados Unidos
numa publicação do governo da Russia, não é nenhuma
surpresa que muita gente hoje comece a concordar com a importância do
trabalho do Padre Gruner.
Enquanto se
desconhece agora como lidarão os burocratas do Vaticano com esta
incardinação, a evidência demostra claramente que o Padre
Gruner tem sido a vítima de uma campanha injusta e prolongada de
perseguição nas mãos daqueles que na Igreja são
opostos ao seu trabalho em nome da Mensagem de Fátima. Todas as provas
documentadas e os depoimentos de inumeráveis testemunhas demostram
conclusivamente que a "controvérsia" a respeito do Padre Gruner
não tem nada a ver com a sua condição como padre e tudo a
ver com com a sua determinação resoluta e inabalável em
promover a mensagem que perturba e frusta muitos na burocracia do Vaticano.
Até
à data, a burocracia do Vaticano se tem negado continuamente a discutir
a verdadeira agenda por detrás dos seus ataques sobre o Padre Gruner.
Não ha dúvida de que o que ele faz e diz em apoio da Mensagem de
Fátima está absolutamente permitido, e, de fato, favorecido por
as leis e os ensinos da Igreja Católica Romana. Os burocratas com
certeza sabem que qualquer desafio das suas atividades em nome de Nossa Senhora
de Fátima seguramente fracassaria num tribunal aberto e justo.
Nos
últimos 20 anos, milhares de padres têm deixado o clero. Por
quê continua o Padre Gruner a lutar como um soldado na cara de uma
oposição quase sem precedente e vinda de dentro da sua Igreja?
Responde o Padre Gruner, -Creio que Nossa Senhora fala absolutamente a
sério quando diz
Se atenderem a Meus pedidos, a
Rússia se converterá, e terão paz. Se não,
espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e
perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados,
o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações
serão aniquiladas.
Não acho
que tenhamos outra opção senão continuar a promover a
Mensagem inteira de Nossa Senhora com toda a nossa força. Que mais
podemos fazer?
B.L. Drake
é um escritor independente que vive em Atlanta, Georgia, e um
contribuidor freqüente a publicações católicas. O
escritor deseja reconhecer e agradecer a contribuição de Francis
Alban, que forneceu muitos dos motivos deste artículo. O Sr. Alban
completou recentemente uma bibliografia sobre o Padre Nicholas Gruner..
Ler sobre A
revista de Nossa Senhora de Fátima
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